Esperantivo: um relato autobiográfico

Nasci na Usina Bom Jesus, no Cabo de Santo Agostinho/PE, em 26 de novembro de 1969. O parto foi em casa, tendo como parteira a senhora Luzinete, que é minha madrinha, e, na época, por minha mãe não ter leite, tive como “mãe de leite” a senhora Maria Vieira, que eu carinhosamente chamava de mãe Vieira.

Minha infância foi alternada entre a Usina Bom Jesus e o Sítio Varjão, em Orobó/PE, a terra de meus pais e onde meu avô paterno, Manoel Gomes Barbosa, andava sobre o roçado brincando comigo. Ele, meu avô, era um amante de cavalos, assim como meu pai. O meu avô materno, José Lopes da Silva, era mamulengueiro e gostava muito de arte.

O meu pai, Luiz Gomes Barbosa, por trabalhar na usina, passou a morar lá em um pequeno sítio, e por isso lá nasci. Seu Luiz era um amante da literatura de cordel, e eu, desde novo, via e escutava meu pai a ler seus romances de cordel, como “O pavão misterioso”, “João Grilo”, “Pedro Malazarte”, “Coco verde e Melancia”. Ele, mesmo nunca escrevendo versos, os cantava e gostava muito de lê-los, principalmente os de Leandro Gomes de Barros e Almeida Filho.

Herdei dele esse amor pela poesia e também pela terra. Seu Luiz era um amante da roça; gostava de plantar, cultivar e era apaixonado pela terra e pelo sertão. Assim como ele, hoje amo a agricultura, a terra e as paisagens sertanejas. Desse convívio também nasceu minha profunda admiração pelos cantadores de viola. Desde a adolescência eu sonhava em um dia ser repentista. Nunca concretizei esse sonho, mas até hoje os admiro e são uma inspiração em minha trajetória no cordel.

Comecei a trabalhar, para ajudar os meus pais, sem ser forçado a tal, aos meus sete anos de idade. Acompanhava a minha mãe, Josefa Berenice Gomes Barbosa, uma guerreira na lida do dia-a-dia, e às vezes também o meu pai. Vendi picolé, carreguei frete e tratei verduras em troca de alimentos. Carreguei areia em carro de mão, vendi castanhas em festas e pipocas caseiras na rua. Mas mesmo em meio ao trabalho, sempre fui incentivado pelos meus pais a ler e estudar.

Aos 14 anos comecei a escrever minhas pequenas quadrinhas e alguns versos desencontrados. Depois disso, versos livres e algumas sextilhas. Na mesma época passei a trabalhar em uma empresa metalúrgica como ajudante, na qual recebi a promoção de oficial de torneiro mecânico. Trabalhei nessa mesma empresa até completar 18 anos. Mesmo no trabalho, sempre reservei tempo para ir à terra onde apenas não nasci, mas passei grande parte minha vida, Orobó/PE.

Aos 19 anos conheci minha primeira namorada, com a qual me casei e tive dois filhos, Jéfte Fernando de Amorim Barbosa e Jennifer Suelen de Amorim Barbosa. Dois frutos que, para mim, são presentes divinos e, para minha maior felicidade, os dois também escrevem poesia de cordel e gostam desta nossa cultura nordestina.

Após pouco mais de 10 anos de convivência e aprendizado, minha relação chega ao fim. Alguns anos mais tarde, tive a felicidade de ser pai novamente, da minha caçula Estela Mares de França Barbosa, uma linda jovem amante da arte, fruto de um namoro com uma pessoa maravilhosa que me deu a alegria de ter mais uma estrela em minha vida. Hoje, minha “Estrela do Mar” está desbravando seus primeiros versos. Juntos, esse trio de fillhos formam meu maior patrimônio emocional.

Mesmo escrevendo versos desde a adolescência, só editei meu primeiro folheto de cordel no ano de 1998, tendo por título “Os nossos manguezais”. Em 2000, depois de um período de reclusão em função de uma grande depressão, que me afastou de tudo e de todos, encontrei nos versos o alento necessário para continuar minha jornada. Editei o cordel “Chico Science” e daí por diante passei a escrever mais e fazer algumas singelas apresentações.

Agradeço a Deus, a minha família e aos médicos que cuidaram e cuidam de mim até hoje, que me foram apoio necessário nesse período. Entre eles, doutora Zenaide Planzo (e sua atendente, Márcia, sempre gentil e atenciosa), doutora Cristiane, Luciano Góis, entre outros, sem mais delongas para não citar muitos e ainda assim correr o risco de esquecer algum dos nomes.

Hoje, tendo sido convidado a participar da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel, ocupo a Cadeira 12, tendo como patrono Apolônio Alves dos Santos. Também integro a Academia Cabense de Letras, ocupando a cadeira que tem como patrono Padre Geraldo Leite Bastos, e a Academia de Literatura de Cordel do Vale da Paraíba.

Em parceria com o fotógrafo Renato Moura, criamos a marca Versalizando Imagens, iniciativa através da qual realizamos oficinas de fotografia e poesia. Também criei o projeto Frut Cordel, por meio do qual fazemos palestras sobre a importância da natureza e dos frutos, especialmente os locais, usando a literatura de cordel. Também criei a página Cordel Andante, tendo nela lançado vários títulos de cordel.

Não me vejo um grande cordelista, mas sim um poeta em construção e evolução diária. Meu maior sonho é me tornar vivo em cada verso meu que for lido e em cada verso que meus filhos criarem após a minha partida para outra dimensão. Afinal, a morte virá decompor o meu corpo, mas jamais a minha poesia.

Obras do Poeta Esperantivo

(Em construção e em constante atualização)

Obras Autorais
  • História da sanfona (2017)
  • Paisagens Sertanejas (2016)
  • As formigas (2015)
  • Nossas frutas e sua importância (2015)
  • Cartilha da biodiversidade de Gurjaú (2015) – maior cordel de autoria do poeta
  • Os guaiamuns de Goiana (2007)
  • Associação mangue ferido (2006)
  • Nossas borboletas (2006)
  • Quando olho pra cadeira falta um em seu lugar
  • Povo indígena é o rei da sabedoria
  • História de Zabé da Loca
  • Suco das flores
  • Amazônia está chorando a cruel devastação
  • Classificação das espécies
  • O sofrer de uma árvore fora de seu ambiente
  • Fernando de Noronha
  • Anelídeos seres diferentes
  • Lamento da bicharada
  • Biodiversidade
  • As plantas medicinais
  • Um mundo estranho através das estatísticas
  • A importância da água em literatura de cordel
  • O romance dos elementos químicos
  • A lição que o gato deu para a humanidade
  • A nossa ave fauna
  • A arborização é importante para o homem e a natureza
  • A mudança da raposa depois de uma reflexão
  • O casamento de Marieta na noite de São João
  • As obras do Criador a vida e a natureza
  • Pus no mar do esquecimento as coisas do meu passado
  • A briga da evolução com a teoria da criação (2001)

Pelejas e Parcerias
  • O Museu de arte Sacra de Pernambuco tem história pra contar (Esperantivo e Severino Melo) – 2017
  • Quem escuta um passarinho vai a alma renovando (Esperantivo e Roberto Celestino) – 2017
  • Vida boa no sertão (Peleja entre Natal Barros Castro e Esperantivo) – 2017
  • Preservação do ambiente (Esperantivo e Severino Melo) – 2017
  • Riquezas da natureza (Peleja entre Esperantivo e Túlio Ribeiro) – 2017
  • Preserve o meio ambiente, viva a nossa ecologia (Peleja entre Andrade Lima e Esperantivo) – 2016
  • No jardim dos poetas mora a flor e o amor nasce e brota da amizade (Peleja entre Maria Farias e Esperantivo) – 2016
  • Biologia e seus ramos (Esperantivo e Severino Melo) – 2015
  • Pré-história (Severino Melo e Esperantivo) – 2014
  • O perigo da dengue (El Gorrión e Esperantivo) – 2014
  • Campanha contra câncer de mama (Severino Melo e Esperantivo)
  • Primeiro Deus, depois a saúde! (Andrade Lima e Esperantivo)
  • A ciência e a ecologia (Esperantivo e Severino Melo)
  • Vegetação de Gurjaú (Esperantivo e Severino Melo)
  • Vamos preservar as praias lutar por nosso ambiente (Esperantivo e Severino Melo)
  • Contemplando a natureza (Esperantivo e Severino Melo)
  • Preserve o meio ambiente deixe o planeta viver (Esperantivo e Severino Melo)
  • Confiança vale mais que dinheiro (Andrade Lima e Esperantivo)
  • O que tem na minha cidade (Esperantivo e Roberto Celestino)
  • A beleza natural do caldeirão de Lajedo (Esperantivo e Wilson China)
  • A vida familiar – Cordel sobre a peça do Grupo Teatral Arte em Cena (Esperantivo e Severino Melo)
  • Rosenildo entalhador (Esperantivo e Severino Melo)
  • Quadrão perguntado (Peleja entre Esperantivo e Matheus Ferreira)
  • As belezas da poesia na visão de um cantador (Esperantivo e Jr. Adelino)
  • Ser poeta é a missão com a musa da poesia (Severino Melo e Esperantivo)
  • Alagoas é meu lugar Pernambuco é o seu (Cordel improvisado: Esperantivo e Cícero Manoel)
  • Mesmo na dificuldade o Senhor nos fortalece (Esperantivo e Severino Melo)
  • As belezas da natureza e seus mistérios também (Esperantivo e Severino Melo)
  • A amizade verdadeira é um tesouro excelente (Esperantivo e Pádua Gomes Gorrión)

Obras Encomendadas para Eventos
  • O Museu de arte Sacra de Pernambuco tem história pra contar (Esperantivo e Severino Melo) – 2017
  • História de Nossa Senhora do Bom conselho traduzida em cordel – 2017
  • Cerimônia de posse do Pároco Rogério Silva – 2017
  • Biblioteca Joaquim Nabuco: 16 anos de história (para Biblioteca Pública do Cabo de Santo Agostinho/PE) – 2017
  • Rafaella & Marcello: do namoro ao casamento (cordel de casamento) – 2016
  • A grandeza feminina e sua atuação (Prêmio Mulher em Evidência, em ajuda a Casa de Recuperação Feminina Rosa de Saron, em Caruaru/PE) – 2015
  • Da poesia ao amor, do amor ao casamento (cordel de casamento de Jefte e Andrea) — 2012

Participação em Livros e Coletâneas
  • Coletânea Cordelistas Contemporâneos (Editora Veloso e Nordestina Editora, 2017)
  • Cordel Coletivo: A leitura abre caminho para a nossa liberdade (Editora El Górrion, 2017)
  • Cordel Coletivo: Quem nasceu pra viver em liberdade não consegue viver numa prisão – (Organização: Tiago Monteiro, 2017)
  • Poema em Apostila de Formação de Recepcionistas de Hotel, Volume 2 (Editado por Via Rápida Emprego / Governo do Estado de São Paulo, 2017)
  • Antologia Veloso (Organização: Eliosmar Veloso, 2016)
  • Coletânea poética Sou da terra Nordestina (Organizador: Gélson Pessoa, 2015)

Música

Elaboração de cordéis

Autor de trabalhos presentes em mais de 160 publicações, o poeta Esperantivo tem uma extensa bibliografia autoral e presença em coletâneas. Além disso, desenvolve cordéis teméaticos sob encomenda para eventos, materiais didáticos, datas comemorativas e materiais promocionais.

Apresentação e declamação

O Poeta Esperantivo desenvolve apresentações poéticas e declamações em versos de cordel, seja em recitais, eventos culturais, educativos ou corporativos. Apenas com sua voz ou acompanhado de músicos e poetas parceiros e amigos, leva alegria aonde vai.

Oficina de produção de cordel

Ativista da poesia, Esperantivo foi um dos primeiros cordelistas do estado a empreender esforços para ensinar estudantes e profissionais, em escolas e organizações, a produzirem versos na estética do cordel. Até hoje atua na formação poética por meio de oficinas.

Versalizando Imagens

Idealizado em parceria com o fotógrafo cabense Renato Moura, o Versalizando Imagens une a poética do cordel às artes visuais, em especial a fotografia, oferecendo materiais para datas comemorativas e festas (casamentos, debutantes, formaturas), ministrando oficinas e realizando exposições.

Frut Cordel

Como ativista ambiental, além de apresentar a ecologia como um dos principais temas de seus trabalhos, o Poeta Esperantivo criou a marca e projeto Frut Cordel, dedicado a promover conhecimentos ligados à flora nativa por meio da literatura de cordel.

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